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sábado, 20 de novembro de 2010

Essa é a cúpula de nosso Judiciário

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Kátia Abreu faz palestra em encontro de juízes patrocinado pela CNA

por Conceição Lemes


De 11 a 13 de novembro, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou, em Aracaju (SE), o IV Encontro Nacional de Juízes Estaduais, cujo tema foi “Justiça e Desenvolvimento Sustentável”.

O IV Enaje arrecadou R$ 1,05 milhão em patrocínios. Um, em particular, chamou-nos a atenção. Os R$ 100 mil pagos pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Kátia Abreu, segundo reportagem de Leandro Fortes em CartaCapital, é a rainha do latifúndio improdutivo:
Com a espada da lei nas mãos, e com a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, ela tem se dedicado a investir sobre os trabalhadores sem-terra. Acusa-os de serem financiados ilegalmente para invadir terras Brasil afora.
Foram ações do poder público que lhe garantiram praticamente de graça extensas e férteis terras do Cerrado de Tocantins. E mais: Kátia Abreu, beneficiária de um esquema investigado pelo Ministério Público Federal, conseguiu transformar terras produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Tradução: na prática, a musa do agronegócio age com os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.
Leandro Fortes em Carta Capital


Kátia Abreu é processada também por ter desmatado ilegalmente 776 hectares sem autorização Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Por isso, recebeu multa de R$ 77 mil, até hoje não aplicada porque recorreu à Justiça. Embora já tenha vendido as terras, continua respondendo ao processo, pois a multa é intransferível.

Curiosamente, foi uma das palestrantes do IV Enaje, que reuniu 600 juízes do Brasil inteiro. Falou no painel “Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável”.

Considerando:
1) as denúncias de desmatadora e grileira que pesam sobre Kátia,
2) a criminalização que faz dos movimentos sociais do campo,
3) o lobby do latifúndio
4) o fato de o poder judiciário ser atualmente um dos gargalos da reforma agrária no Brasil, a parceria CNA/AMB levanta dúvidas.

A avaliação de que o Judiciário é um dos entraves à reforma agrária é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Explica-se. O governo desapropria áreas consideradas improdutivas. Seus proprietários entram com recurso. A Justiça normalmente aceita. Cria-se um impasse. O governo já expropriou a terra, mas o caso fica parado na Justiça e as famílias acampadas, à espera da decisão final.

Reportagem de Phydia de Athayde e Rodrigo Martins, também publicada em CartaCapital , reforça a avaliação do MST:

A região do oeste paulista é simbólica por potencializar alguns entraves à reforma agrária no País. No caso, o conservadorismo do Judiciário somado ao excesso de recursos ajuizados pelos proprietários. Valdez Farias, procurador-geral do Incra, diz que o estado de São Paulo é especialmente problemático nesse ponto porque, diferentemente de outras áreas, todos os recursos possíveis são aplicados.
Phydia de Athayde e Rodrigo Martins, Carta Capital

AMB: “JUÍZES NÃO SÃO INFLUENCIADOS ASSIM COMO REPÓRTERES NÃO SÃO PELA PUBLICIDADE”

O Viomundo questionou então a Associação dos Magistrados Brasileiros:
1) O tema do IV Enaje foi desenvolvimento sustentável. Não configuraria conflito de interesses o patrocínio da CNA?
2) Desenvolvimento sustentável envolve propriedade da terra. O patrocínio da CNA não poderia gerar na cabeça dos juízes uma boa vontade em relação aos latifundiários em detrimento de movimentos dos trabalhadores rurais sem terra?

3) A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, tem ações na Justiça nas áreas agrária e ambiental. É compatível, ético, uma ré fazer palestra para juízes que podem um dia julgá-la?
4) Os recursos arrecadados com o patrocínio foram destinados a quê? Pagou despesas de juízes?

A AMB, por intermédio da assessoria de imprensa, respondeu-nos por email:

1) O convite à senadora Kátia Abreu para o painel Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável deveu-se à representação da entidade junto ao tema. Destacamos que o painel não foi unilateral. Havia outro palestrante Raul do Valle, advogado especializado em meio ambiente e assessor jurídico da ONG Instituto Socioambiental (ISA) com ponto de vista oposto.

2) Os patrocínios são dados à entidade e não aos juízes individualmente. Da mesma forma que repórteres não são influenciados pela publicidade veiculada nos jornais em que trabalham, os juízes não são influenciados por patrocinadores de eventos. Além disso, durante o encontro eles ouviram pontos de vista divergentes.

3) A senadora estava representando um setor produtivo da sociedade, da qual é presidente, e o assunto se ateve ao tema proposto. Naquele auditório ela não estava participando de um julgamento, e sim de um debate cujo o tema foi Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável. Se verdadeira, a premissa da pergunta proibiria os juízes de ter contato com qualquer pessoa em qualquer local, visto que todos estão sujeitos a sofrer processos. É como achar que o juiz deve viver isolado.

4) Os recursos foram aplicados na organização e infra-estrutura do evento. Cada juiz pagou sua própria despesa, como passagem, hospedagem e, inclusive, inscrição. Além da CNA, várias outras entidades patrocinaram o evento.


JUÍZA DORA MARTINS: “INSUSTENTÁVEL A DEFESA DO IV ENAJE”

Diz a velha máxima: À mulher não basta ser só honesta; tem de parecer honesta. Por isso, ouvimos também a Associação de Juízes pela Democracia (ADJ).

“A questão dos patrocínios é bastante passível de crítica. Afinal, juízes têm de ser éticos e independentes, sem se influenciar pelo peso de suas ideologias”, afirma a juíza Dora Martins, da AJD. “Além de éticos, têm ainda a obrigação funcional de mostrar e não expor a imagem da Justiça a interpretações dúbias.”

“Não creio que os juízes fiquem de mãos e consciência amarradas só por conta do patrocínio. Porém, publicamente, isso depõe contra a imagem do Poder Judiciário”, diz Dora Martins.” A partir do momento em que no nosso sistema, capitalista, impera o poder do ‘poder’ e do dinheiro, fica insustentável a defesa de um evento como IV Enaje, do jeito que foi elaborado.”

“De modo algum, os juízes que porventura estiveram no tal evento são passíveis de crítica ou qualquer forma de acusação no seu desempenho funcional”, salienta Dora Martins. “Porém, parece-me desnecessário a exposição da magistratura nacional a esse tipo de situação, evitável, e que, trazida ao conhecimento público, permite ser interpretada de todos (e qualquer) os modos.”

“A independência judicial é o bem mais caro que todo juiz deve ter, zelar e lutar”, arremata. “Tudo o que possa colocar isso em risco deve ser afastado, evitado e rejeitado.A transparência é outra virtude a ser buscada no exercício dos poderes do Estado, inclusive no poder Judiciário.”



Fonte: Blog Vi o Mundo - Luiz Carlos Azenha


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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Presidente do Brasil é motivo de disputa entre Bulgária e Macedônia

Paula Adamo Idoeta
da BBC Brasil em SP


Pai de Dilma emigrou ao
Brasil nos anos 40
As origens da família da presidente eleita Dilma Rousseff provocaram desavenças entre meios de comunicação da Bulgária e da Macedônia.

A agência de notícias búlgara Novinite.com escreveu nesta quinta-feira um editorial criticando o jornal macedônio Dnevnik, por “informações inverídicas sobre a recém-eleita presidente do Brasil”.

Na quarta-feira, o Dnevnik publicou reportagem que diz que Petar Russev – pai de Dilma, que quando emigrou ao Brasil, no anos 40, mudou seu nome para Pedro Rousseff – tem “origens macedônias”, porque, alega o jornal, nasceu numa vila chamada Gabrovo, na “região macedônia de Pirin”. O Dnevnik cita como fonte um grupo no Facebook que teria sido reproduzido pela Novinite.

A agência búlgara negou e reagiu dizendo que a reportagem macedônia é “tendenciosa” e “confunde dois lugares na Bulgária”: a cidade de Gabrovo, no centro do país, onde há registros sobre a família Rousseff, e a vila de Gabrovo, na região de Pirin, sudeste do país.

Foto: BBC Brasil acessada em 15nov2010
A Gabrovo do centro da Bulgária
organizou mostra sobre os Rousseff
Pirin é uma região que pertence oficialmente à Bulgária, mas tem uma presença significativa de habitantes de origem macedônia, segundo a seção macedônia do serviço mundial da BBC.

O jornal macedônio Dnevnik, o mais lido do país, não explica como concluiu que o pai de Dilma teria nascido na região de Pirin.

Já na cidade de Gabrovo, no centro da Bulgária, há registros (ainda que poucos) sobre Petar Russev, e o município organizou uma exposição com fotos da família da presidente eleita brasileira, além de árvores genealógicas.



Fronteiras


A Novinite acusa a reportagem do Dnevnik de “aparentemente brincar com a reivindicação latente circulada pela imprensa macedônia de que o sudeste da Bulgária é ‘território macedônio’”. A agência pediu uma retratação ao jornal, mas até esta quinta-feira não tinha recebido resposta.

O geógrafo brasileiro Nelson Bacic Olic, autor de livros sobre o Leste Europeu e um dos editores do jornal de geopolítica Mundo, explicou à BBC Brasil que diversos países – como Bulgária, Grécia e Albânia – têm até hoje resquícios da região histórica da Macedônia e populações dessa origem.

“É um mapa intrincado. A região passou por intensas mudanças de fronteira em sua história”, explica. “Em momentos de crise (como o atual), reacendem ali reivindicações nacionalistas.”

A região de Pirin, por exemplo, trocou de mãos entre búlgaros e macedônios durante a Segunda Guerra Mundial, mas hoje pertence oficialmente à Bulgária.

Segundo a jornalista búlgara Milena Hristova, da Novinite, a posse búlgara do território "é questionada apenas por elementos radicais da Macedônia e pela imprensa".

Fonte: BBC Brasil

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sábado, 13 de novembro de 2010

A exposição sobre família de Dilma em Gabrovo, Bulgária

Paula Adamo Idoeta
da BBC Brasil em SP


Mostra tem fotos, documentos
e árvore genealógica
No dia do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, 31 de outubro, a cidade de Gabrovo, na Bulgária, inaugurou uma exposição sobre os Rousseff, família agora ilustre no país do leste europeu.

Foi na cidade de 60 mil habitantes no centro da Bulgária que nasceu em 1900 o pai da presidente eleita Dilma Rousseff, Petar Russev - que mudou seu nome para Pedro Rousseff quando emigrou para o Brasil.

Petar deixou Gabrovo (lê-se Gábrovo) em 1929 e viveu na França e na Argentina antes de se radicar no Brasil, nos anos 40 - década em que a Bulgária viveu uma ditadura e entrou para o bloco soviético.

Ficaram em Gabrovo, além de parentes, a primeira mulher de Petar, grávida de um filho que ele não chegou a conhecer. O pai de Dilma morreu em 1962, em Belo Horizonte.

‘Raízes profundas’

Foto:BBC Brasil acessada 13nov2010
Cidade de Gabrovo 'entusiasmada'
por laços com Dilma
A exposição em Gabrovo conta com 35 fotos coletadas por um museu local - com a ajuda de Toshka Kovacheva, que foi casada com um primo de Dilma -, além de documentos e árvores genealógicas.

A mostra foi idealizada pelo partido da situação GERB, e as árvores genealógicas foram feitas por especialistas, explicou à BBC Brasil Georgi Nalbantov, um dos organizadores da mostra.

Nalbantov relatou por e-mail à BBC Brasil informações passadas pela administração do museu de Gabrovo, que explica que a família Rousseff “tem raízes profundas, de três séculos, na cidade. Os bisavós de Dilma foram célebres como gente de espírito empreendedor”.

Um parente da presidente eleita, dizem, chegou a ser ministro local, no final do século 19.

Capital do humor

Moradores contam que Gabrovo está celebrando sua recém-adquirida notoriedade do outro lado do Atlântico.

Postal sobre Gabrovo exibido na
mostra na cidade búlgara
“Não é uma cidade muito grande. (O povo) está muito entusiasmado por ter elos com uma política importante e espera que ela venha visitar”, disse à BBC Brasil Milena Hristova, jornalista nascida em Gabrovo.
A cidade se autointitula capital internacional do humor, e seu povo tem fama de pão-duro, inclinado a pechinchar, e de inventivo quando se trata de dinheiro, contou Hristova.

Entre as atrações turísticas da cidade está o museu A Casa do Humor e da Sátira e um carnaval anual, que o prefeito de Gabrovo quer associar agora ao carnaval do Rio de Janeiro.

O cônsul honorário da Bulgária no Brasil João Vaz disse que a cidade prepara também homenagens para a presidente eleita.

Fonte: BBC Brasil


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