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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ProUni - Um Brasil de preconceitos

Vítimas de piadas racistas e ignorados pelo restante dos alunos, os bolsistas se esforçam para superar a exclusão dentro das próprias salas de aula

Mariana Lenharo
JORNAL DA TARDE

Os colegas de turma de Juliano Tenório da Silva, estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não o cumprimentam nos corredores da instituição. Nayla Paganini, também aluna da PUC-SP, é alvo de comentários por não se vestir com roupas caras como as outras garotas da classe. Já o publicitário José Geraldo da Silva Junior, que estudou na Universidade Metodista de São Paulo, ainda não entende por que o nome dele e dos outros bolsistas da sala vinham por último na lista de chamada, fora da ordem alfabética.

Os três conseguiram ingressar em instituições de ensino conceituadas da cidade graças ao Programa Universidade para Todos do Ministério da Educação, o ProUni, que concede bolsas em universidades particulares para alunos de baixa renda (leia as histórias de cada um deles aqui).

Neste ano, 84.817 estudantes foram beneficiados no Estado de São Paulo com auxílios integrais ou parciais. À medida que o programa amplia o acesso das camadas sociais mais baixas ao ensino superior pago, aumentam também os casos de bolsistas que se sentem vítimas de preconceito na sala de aula.

Na semana passada, o Jornal da Tarde noticiou o caso da estudante negra Meire Rose Morais, de 46 anos, que recebeu e-mails ofensivos e racistas de uma colega de classe da PUC-SP. Tudo começou quando, às vésperas do segundo turno das eleições, Meire encaminhou uma análise política para a lista de e-mails de sua classe. Em poucos minutos, 33 e-mails de uma única pessoa lotavam sua caixa de entrada: eram piadas preconceituosas e uma mensagem de que Meire nunca mais irá esquecer.

Em um mesmo texto, a agressora chamava a aluna de prostituta, caracteriza seu pé como “grotesco”, zombava de seu cabelo e ainda criticava suas roupas. “Chorei durante cinco dias. Fiquei me sentindo um nada, ela quis me ofender em todas as minhas características”, lembra.Meire conta que o e-mail foi o ápice do preconceito, com o qual ela já convivia, em doses menores, desde o início do curso.

“Quando entrei na PUC, em 2005, existia um clima de medo, como se os alunos do ProUni fossem fazer a qualidade da instituição cair”, diz. Por isso, segundo a estudante, os bolsistas sempre sentiram vergonha de se manifestar, com medo de ser apontados como aqueles que estavam prejudicando a qualidade do ensino.

Na sexta-feira, as agressões contra Meire provocaram uma reação na universidade. Em moção de repúdio assinada pelas associações dos professores e dos funcionários da PUC e pelo Conselho dos Centros Acadêmicos da universidade, a atitude foi caracterizada como reveladora de um “ódio antipovo”, marcado pela “presença de uma intolerância raivosa no interior da PUC-SP, que se dirige contra tudo o que se diferencie de um pretenso padrão estético, moral e político”.

Prestes a concluir o curso de Direito, Meire vai apresentar nesta semana um requerimento administrativo na PUC-SP para que a universidade ouça os alunos envolvidos na questão e avalie a punição para os responsáveis. Além disso, pede que a universidade desenvolva atividades oficiais de combate à intolerância. Procurada pela reportagem, a PUC-SP não se manifestou sobre o caso.

Para a educadora Quézia Bombonatto, esse tipo de comportamento pode ser considerado como uma forma de bullying. “Embora seja mais comum entre adolescentes e crianças, muitos sofrem bullying na universidade e no trabalho. A universitária que ofendeu a outra estudante com certeza não consegue lidar com a diversidade e sente-se ameaçada em seu reduto”, analisa.

Para o advogado Cleyton Wenceslau Borges, representante da Uniafro Brasil, instituição educacional voltada para negros e pessoas de baixa renda, é importante que as universidades conveniadas ao ProUni disponham de um espaço institucional para tratar do tema do preconceito. “Corre-se o risco de aumentar a distribuição de bolsas sem que essas instituições se voltem para dentro de si para verificar se está havendo esse tipo de enfrentamento racial”, acredita.

FRASES
“O aluno universitário que pratica o preconceito também é vítima de uma sociedade que não o preparou para conviver com as diferenças”
FREI DAVID R. DOS SANTOS,
FUNDADOR DA EDUCAFRO

“Chorei durante cinco dias. Fiquei me sentindo um nada, ela quis me ofender em todas as minhas características”
MEIRE ROSE MORAES, ALUNA DE DIREITO DA PUC,
VÍTIMA DE E-MAILS PRECONCEITUOSOS DE UMA COLEGA

“É como se eu carregasse uma placa dizendo que sou diferente dos outros, que sou bolsista”
JULIANO TENÓRIO DA SILVA,
ALUNO DE DIREITO DA PUC
“Não conseguimos nos integrar nos grupos de trabalho, ficamos em um grupo isolado. Estava excluído. Os outros alunos comentavam que eles é que pagavam a mensalidade”
JOSÉ GERALDO DA SILVA JUNIOR,
FORMADO EM PUBLICIDADE PELA METODISTA

Fonte: Leituras Favre


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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Escola do MST recebe melhor nota do Enem


(...)
Com sua cobertura enviesada e manipuladora, a mídia omite fatos curiosos do Enem. Um deles, que ela nunca divulgaria, é que a Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, foi o destaque do Exame Nacional em 2009, conforme noticiado na página oficial do Enem. Ela ocupou a primeira posição no município, com nota de 505,69.


Semente da Conquista

Nesta escola estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. Ela é dirigida por militantes do MST e os professores foram indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1.418 famílias, morando em 23 assentamentos. A primeira colocação no Enem foi comemorada pelas famílias de sem-terra.

A mídia, porém, nada falou sobre esta vitória. Segundo o sítio do MST, "essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também é pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação".

"A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são para uma pequena elite... Mesmo com todas as dificuldades, a escola foi destaque entre as escolas do município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim da proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado". 



Comédia - Marcelo Adnet MTV

http://www.youtube.com/watch?v=jrUVle5wdPY

Vídeo assustador: Globo de SC tem ódio de pobre


por Conceição Lemes
via blog viomundo

Em São Paulo, há muitos anos existe o rodízio de circulação de carros, baseado no final das placas.  Para driblá-lo, as famílias mais abastadas logo deram um jeito.  Passaram a ter dois, três, quatro carros na garagem, o que contribuiu, sem dúvida, para o aumento da frota nas ruas. Engraçado. 

Ninguém reclamou.

Porém, bastou o sonho do  veículo próprio (automóvel ou moto)  se tornar realidade para muita gente das camadas populares, para a chiadeira começar. A culpa? Ora, para a elite inconformada com o ascensão social dos pobres, é do presidente Lula, graças às facilidades de crédito.

O comentário  do jornalista Luis Carlos Prates (veja o vídeo abaixo) num dos telejornais da RBS, afiliada de TV Globo em Santa Catarina, é exemplo da intolerância e do  preconceito.  O que será que ele disse quando um “mauricinho”,  filho de um dos diretores da emissora em que trabalha, estuprou uma colega adolescente de Florianópolis (assista aqui)? Será que o abafamento do caso pela polícia e mídia locais também é culpa do Lula?
 

http://www.youtube.com/watch?v=uwh3_tE_VG4


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do Blog Conversa afiada - PHA

Amigo navegante viu, entre os comentários do post “Xenofobia e homofobia: onde isso vai parar?”, referência a esse comentário de um “comentarista” da Globo de Santa Catarina, a RBS, que despeja ódio contra a Classe “C”, que passou a ter carro.

Foi nisso que deu trazer o vaso sanitário para a sala de jantar onde, em Santa Catarina, alguns aparelhos de televisão ainda estão sintonizados na Globo.


O preconceito é a doença infantil do racismo.

Paulo Henrique Amorim


Fontes:


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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Nota de repúdio

Atualizado dia 20 de novembro 2010
Decidi que - depois destas eleições de 2010, em que tive o desprazer de ver o pior jogo sujo em uma eleição ser aplicado - não mais trataria de política partidária em meu blog. O mais triste é saber que o jogo sujo veio de um partido que se autoproclama intelectualizado e que deveria zelar pela democracia e pela igualdade entre pessoas e raças indiferentemente à sua cor, raça, credo, posição social e origem... é triste, mas é fato...
http://www.youtube.com/watch?v=FAEdyAO1OmM

Mas não poderia de deixar aqui o meu protesto transcrito abaixo e o faço usando parte de um artigo do Blog Escrevinhador de Rodrigo Vianna que reproduz de modo claro o momento que estamos passando.

A campanha conservadora movida pelos tucanos, a misturar religião e política, trouxe à tona o lodo que estava guardado no fundo da represa. A lama surgiu na forma de ódio e preconceito. Muita gente gosta de afirmar: no Brasil não há ódio entre irmãos, há tolerância religiosa. Serra jogou isso fora. A turma que o apoiava infestou a internet com calúnias. E, agora, passada a eleição, o twitter e outras redes sociais são tomadas por manifestações odiosas. 


Como se vê no vídeo acima, não foi só a tal Mayara (estudante de Direito!!!) que declarou ódio aos nordestinos. Há muitos outros. Com nome, assinatura. É fácil identificar um por um. E processar a todos! O Ministério Público deveria agir. A Polícia Federal deveria agir.

E nós devemos estar preparados, porque Serra fez dessas feras da direita a nova militância tucana. Jogou no lixo a história de Montoro e Covas. Serra cavou a trincheira na direita. E o Brasil agora colhe o resultado da campanha odiosa feita por Serra.

A campanha sórdida de Serra, com a complacência de seu partido e aliados, com a ajuda da mídia nativa e sob a tutela do TSE - via Sandra Cureau, clique aqui contra Dilma e aqui a favor de Serra - e do STF - via Gilmar Mendes, clique aqui e saiba sobre - serviu, nesta eleição, para mostrar de vez o quão preconceituosos são boa parte dos Brasileiros. Seja pelo preconceito aos pobres, aos homossexuais, aos ateus, aos que apoiam o aborto, aos nordestinos, aos que tem pouco estudos, etc... até mesmo o jeito das pessoas falarem vi ser desdenhado. Foram tantos e-mails de baixo nível que recebi que dá dó em saber que pensam assim, mesmo que não tenham escritos tais e-mails, mas pelo simples fato de terem replicados implica que concordam. O que mais decepciona é a constatação que quanto mais estudos as pessoas têm mais preconceituosa elas são... isso sim é de assustar... o conhecimento que estas pessoas adquiriram ao invés que libertá-las e torná-las mais abertas às diferenças que existem em uma sociedade, fez justamente o contrário... isso me faz ter a certeza que o Brasil é um país de maioria diplomados, com poucos conhecedores e muito menos ainda de sábios...
http://www.youtube.com/watch?v=3RXLe78UrdY


que belo exemplo e futuro estamos dando e garantindo aos nossos jovens... o preço já começou a ser cobrado... e estaremos todos  aqui para colher os belos frutos plantados...


http://www.youtube.com/watch?v=Vbs_J-We748



http://www.youtube.com/watch?v=FtJjtwzQ56E

Para quem acha que o voto nordestino veio do bolsa família, não sabe da reza a  metade. Veja o vídeo abaixo e saiba da revolução que está acontecendo lá, e é o mesmo que vem acontecendo no norte de Goiás com a ferrovia norte-sul e que se tudo der certo se completarão no mandato de Dilma, e que  isso não vai sair na mídia nativa sediada em São Paulo a não ser para criticar:
http://www.youtube.com/watch?v=1BaURVUVpns


E para quem ainda acha que errou ao votar na Dilma é só dar uma olhadinha nos dois vídeos abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=hOG6eYDPxYs

http://www.youtube.com/watch?v=brLDhI9pZDM

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Atualizado dia 03 de novembro 2010, via blog Leituras Favre:


Escritório de advocacia demite estagiária acusada de racismo no Twitter

JAMES CIMINO – FOLHA.COM

DE SÃO PAULO
O escritório Peixoto e Cury Advogados, de São Paulo, demitiu a estagiária e estudante de Direito, Mayara Petruso.
Ela é apontada como autora de um comentário racista no Twitter, feito logo após as eleições, responsabilizando os nordestinos pela vitória de Dilma Rousseff (PT).

“Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, teria escrito a estudante no microblog.

A declaração provocou reações dos internautas, que se posicionaram contra e, alguns, a favor. Mais tarde, ela cancelou seu perfil no Twitter, Facebook e Orkut.

“Com muito pesar e indignação, [o Peixoto e Cury Advogados] lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, afirma o escritório na nota que confirma a demissão da estagiária.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco afirmou que irá pedir amanhã ao Ministério Público Federal, em São Paulo, a abertura de uma ação penal contra a estudante.

A estudante ainda não foi encontrada pela reportagem.


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OAB-PE vai à Justiça contra ofensas a nordestinos no Twitter

03/11/2010

A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrar com uma representação criminal na Justiça de São Paulo contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.
No domingo à noite — logo após o anúncio da vitória de Dilma, sobre o candidato demo-tucano, José Serra — usuários da rede de microblogs começaram a postar mensagens ofensivas aos nordestinos, relacionando o resultado à boa votação de Dilma no Nordeste.
A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das responsáveis pelo início dos ataques.
Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.
Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
“São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos?”, diz Mariano.
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Boa sorte a todos!
http://www.youtube.com/watch?v=TeIiPgCNwj8


Leia também:


Fontes deste Post: